ESPECIAL: Professor defende instalação de curso público de medicina veterinária na região de Campina Grande

Apesar de Campina Grande comportar uma região que corresponde a cerca de 800 mil habitantes, falando apenas dos municípios imediatamente ligados à Rainha da Borborema, não há na região um curso superior público de medicina veterinária, que forma profissionais indispensáveis para o bem estar animal e para a saúde humana. Os alunos interessados no curso precisam migrar para Areia (Brejo), que fica a cerca de 45 quilômetros de Campina Grande, ou Patos (Sertão), que fica a 170 quilômetros da Rainha da Borborema.

Diante da necessidade de se preencher esta lacuna, professores e defensores da causa animal estão cada vez mais engajados na luta pela instalação de um curso público de medicina veterinária na região. Um deles é o professor doutor do CCAA/DAA/UEPB Fábio Agra Medeiros. Além disso, Fábio tem uma importante experiência nas políticas públicas voltadas para esta área, já que foi secretário executivo estadual da Pecuária e da Pesca, entre junho de 2006 e fevereiro de 2009; secretário executivo estadual dos Recursos Hídricos e Meio Ambiente, entre janeiro de 2011 abril de 2012 e secretário municipal de Agricultura de Campina Grande de abril de 2014 até março de 2019.

Em entrevista concedida ao Blog do PP ele respondeu por qual razão é a favor da importância da instalação do curso na região e se, de fato, existe viabilidade para isso. Confira a entrevista abaixo:

  • Qual a importância para a região de Campina Grande ter um curso superior e público de medicina veterinária?

Primeiro atende demanda das famílias de estudantes do Compartimento da Borborema que não têm condições de pagar transporte ou morar em Patos ou Areia, muito menos pagar faculdade particular, já que aqui os cursos são pagos. Em segundo lugar, vai contemplar uma região metropolitana de mais de 800 mil habitantes, com produção agropecuária, em grande parte inserida no semiárido, com aptidão para a pecuária, com tradição em grandes vaquejadas, cavalgadas, clínicas veterinárias, pet shops e empresas do setor, além de ter institutos e universidades ligadas às ciências agrárias. Também pode contribuir para o atendimento de pleitos da comunidade carente, do fórum e de ongs de proteção animal que muitas vezes não sabem para onde levar animais doentes ou acidentados visando um tratamento adequado. Outra grande vantagem é na proteção a saúde pública, por intermédio de prevenção de doenças que podem ser transmitidas através dos alimentos, mediante a ampliação da visão e da capacidade técnica para o crescimento de criação dos serviços de inspeção municipais e nos novos credenciamentos nos abatedouros públicos e particulares, atendendo a legislação cada vez mais rigorosa nessa questão e ajudando o país a ter produtos de qualidade.

  •  Há estrutura para a implementação de tal curso na nossa área? Qual seria o local mais viável para que ele funcionasse ?

Sim. No Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Campus II da UEPB, já funcionam o curso bacharelado em agroecologia e os cursos técnicos em agropecuária e agroindústria. São mais de 20 hectares de área na zona rural de Lagoa Seca, com salas de aula disponíveis, infraestrutura com currais, galpões para avicultura, apriscos dentre outros equipamentos de criação animal, além de uma agroindústria de processamento de carnes, frutas e laticínios.

  •  Há professores suficientes para atender essa demanda ?

Sim, já temos professores biólogos, veterinários, zootecnistas e agrônomos, porém, será necessário contratar, inicialmente, professores substitutos ou temporários devido o aumento da demanda e futuramente um concurso público.

  • O que é preciso para que seja feita essa implementação ?

Para a implantação, é necessário mobilização da sociedade para solicitar com argumentos junto a reitoria da UEPB para que ela dê o comando ao departamento responsável para realizar estudos, formatar a sistemática curricular  e aprovar a criação do curso, enviando aos órgãos superiores da instituição que irão deliberar sobre o assunto.

  • O senhor acredita que com um curso de medicina veterinária na região a situação do bem estar animal na nossa área passaria a ter uma atenção especial?

Sem dúvidas o bem estar animal será o tema mais ensinado e debatido nesse curso. Pela experiência que tenho, junto a maioria dos docentes, técnicos e estudantes do nosso campus, que já falam disso nos nossos cursos, potencializado principalmente pela turma da agroecologia, haverá a ampliação de defensores da causa e acima de tudo, de profissionais mais humanizados de visão holística com a causa ambiental.

Paulo Pessoa Autor

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